Brazil: On a Bill that Bans Drinking in Public Places

Brazilian blogger Leonardo Cisneiros comments on [pt] a proposed bill in the city of Recife (Pernambuco state) that prohibits the consumption of alcoholic beverages in public places. The proposed bill has caused mixed reactions among the population, including  a motion of disgust [pt] and online reactions that have been censored [pt] by the councilwoman Marília Arraes, author of the bill.

Fonte: Global Voices

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Grupo do Facebook Lei Seca de Marília Arraes – Eu digo não! se defende

A polêmica envolvendo o projeto de lei que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas em vias públicas da cidade a partir das 18h, da vereadora Marília Arraes (PSB), continua. Representantes do grupo criado no Facebook “Lei Seca de Marília Arraes – Eu digo não!”, contrário a proposição da socialista, admitem que houve alguns comentários ofensivos, mas que não justificavam a exclusão de todos os argumentos contra a proposta. Segundo eles, a vereadora se aproveitou de umas poucas postagens, de pessoas que não compõem o grupo, para deletar as opiniões que mais incomodaram. “Ela pegou carona dos comentários abusivos para deletar os que tinham sido apresentados de forma construtiva”, contou o bacharel em História, André Raboni.

Ele foi uma das pessoas que foram excluídas da página no Facebook de Marília Arraes. Em concordância com Raboni, a assessora de comunicação Katarine Lins, declarou que a atitude da vereadora foi, na verdade, uma forma de não discutir o projeto com pessoas que tinham bons argumentos para contrapor a ideia dela. “Eu disse no Facebook dela que ela tinha medo de pessoas formadoras de opinião”, disparou. De acordo com Lins, não existe justificativa para a exclusão das postagens e dos usuários. Para o grupo, se a intenção da vereadora em colocar a discussão de seu projeto nas redes sociais foi a de ter o apoio das pessoas, a ação foi um tiro no pé.

Os membros do “Lei Seca de Marília Arraes – Eu digo não!” não pretendem alterar o projeto. A proposta, de acordo com o integrante do grupo Igor Prazeres, é extinguir a proposição. Esse objetivo revelado por Prazeres, que também assessor do vereador Osmar Ricardo (PT), remete a emenda do petista pedindo a supressão do projeto de Marília e acabou levando a proposta de volta para as comissões. Questionado se o movimento partiu de Osmar Ricardo, o assessor negou e explicou que sua opinião e a dos que compõe o grupo não têm nada a ver com o seu trabalho ou com alguma manobra política.

Prazeres, assim como Katarine Lins, que também é assessora do petista, informaram que, mesmo não sendo idealizado pelo vereador, a manifestação conta com o apoio dele. “O pessoal da Universidade Federal foi fazer uma manifestação na Câmara, daí procurou o Osmar Ricardo e a gente entrou num consenso. Eles criaram uma comissão com uma mensagem de repúdio, para ser mostrada publicamente através do vereador, que apoio totalmente”, explicou Lins.

No entendimento deles, o projeto de lei em questão não é constitucional. Dizem estarem surpresos que ele tenha passado pela Comissão de Constituição e Justiça, da qual Marília Arraes é presidente. “Ela está indo contra o direito constitucional de ir e vir. Eu só acho que as leis proibitivas não são o caminho para resolver problemas que dependem de outros fatores”, argumentou Igor Prazeres. “Se ela (proposta) for aprovada, vai ser derrubada facilmente pela Justiça”, opinou

Promessa

Eles mandam o recado: “Vamos nos mobilizar para sair pela rua. A gente quer debater isso”, avisou. O grupo pretende conseguir o apoio da população contra o polêmico projeto e promete convidar a vereadora Marília Arraes para as discussões. Até o final da tarde desta quarta-feira, o Diario contabilizou 588 membros da página do Facebook.

Acompanhe o caso.

Fonte: Diário de Pernambuco

Polêmica com Marília Arraes nas redes sociais

Vereadora apaga do Facebook comentários críticos ao seu projeto sobre consumo de álcool e sofre duros ataques

Desde que foi aprovado, em primeira votação, o projeto de lei de autoria da vereadora Marília Arraes (PSB), que impõe restrições ao consumo de álcool nas vias públicas do Recife (entre às 18h e 6h), não parou de gerar polêmica, principalmente, nas redes sociais. A página da socialista no Facebook recebeu inúmeros protestos ao longo da última semana que culminaram, há dois dias, com a ida de um grupo de estudantes à sessão da Câmara Municipal para pressionar os vereadores a rejeitarem a matéria na segunda votação, que terminou sendo adiada.

Nesta terça-feira (13), o foco das discussões saiu, momentaneamente, do conteúdo do projeto e transferiu-se para a conduta da vereadora.  Depois de responder cada um dos questionamentos postadas no Facebook e, inclusive, receber algumas pessoas em seu gabinete para debater a matéria, a própria Marília resolveu apagar todos os comentários contrários a sua proposta colocados em sua página.

Alguns dos usuários, autores das manifestações, foram, inclusive, bloqueados e impedidos de acessar o perfil da vereadora, o que serviu para aumentar ainda mais a revolta de quem já havia se posicionado contra o projeto. A socialista também passou a ser acusada de “manipular” a discussão ao liberar apenas as avaliações positivas acerca de suas propostas.

Doutoranda em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisadora da área de criminalidade, Ana Paula Portella, por exemplo, surpreendeu-se ao ver que não tinha mais permissão de entrar no perfil de Marília, um dia depois de ter conversado com a vereadora nas dependências da Câmara. Dizendo-se “escandalizada” com a atitude “autoritária” da socialista, ela divulgou uma nota compartilhada por vários usuários do Facebook.

“A vereadora optou por não continuar a conversa e, pior, retirar do seu perfil poderosos ataques ao projeto (…) As pessoas envolvidas na discussão que foram sumariamente bloqueadas, em sua maioria, são profissionais da área das ciências humanas que estão preocupados, não em desmoralizar a vereadora ou algo do gênero, mas sim em praticar a democracia, apresentando os erros do PL e seu potencial de tornar-se uma lei pouco eficiente, nada democrática e muito prejudicial aos cidadãos do Recife”, diz o texto.

Marília, por sua vez, reconheceu ter deletado os comentários, alegando que a maioria tinha caráter “agressivo”, embora tal classificação não pudesse ser estendida a todos. “Ali era um espaço de defesa do mandato. O democrático realmente seria se eles tivessem criado um grupo ou comunidade específica para realizar aquele debate e não se utilizar de um espaço que a gente mobilizou, durante dois anos, quase cinco mil usuários”, argumentou, garantindo que não desistirá do projeto.

Fonte: Jornal do Commércio

Marília Arraes diz que excluiu comentários ”ofensivos”

A vereadora Marília Arraes (PSB) confirmou na noite desta terça-feira (13) que apagou comentários de internautas publicados em seu perfil no Facebook. A parlamentar, autora do projeto que institui a “regulamentação de bebidas alcoólicas no Recife”, alegou que as opiniões deletadas eram “ofensivas”.

Marília disse não consdierar censura o fato de ter apagado comentários. “Como toda página, (a minha) está sujeita à moderação, a critérios”, defendeu-se.

Para a vereadora, o debate é “rasteiro” e por isso, diz ela, não permitiu todas as publicações. “Desde o início o debate foi bastante desvirtuado, colocado num patamar desrespeitoso. A maioria (dos comentários deletados) era ofensiva, palavras de baixo calão, agressões pessoais. Agressões à minha pessoa”, rebateu.

Ela também disse estar sendo vítima no Twitter, onde começou a circular a hashtag “#porramarilia”. “Isso é muito rasteiro. Não vou entrar nesse tipo de debate”, afirmou.

Comentários lidos pelo Blog de Jamildo, no entanto, não traziam ofensas e mesmo assim foram apagados. “Vereadôôôôra… Que coisa feia… O povo tá tudo revoltado por ter sido bloqueado… Faça isso não… Eles são todos civilizados e não comprometerão sua integridade.; mas não barre o povo do debate não, é muito feio”, escreveu, por exemplo, o perfil Acre Recife. A declaração foi deletada.

Em relação à moção de repúdio que começou a circular na internet, ela a considerou legítima. “É democrático que discordem do projeto”. No Facebook foi criado um grupo chamado “Lei Seca de Marília Arraes – Eu digo não!”.

Marília disse que esperava uma grande repercussão em torno tema e admitiu não ter construído sozinha o projeto. Dividiu a responsabilidade com o Judiciário, Ministério Público, entidades civis e secretarias municipais e estaduais.

Questionada sobre o impacto negativo que a proposta pode ter no próximo ano, quando deve disputar a reeleição para a Câmara do Recife, ela alegou ter outro foco. “O importante é que estou preocupada com a cidade”.

Marília Arraes garantiu que procurou promover debates enquanto o projeto estava sendo discutido e que ainda aceita debater. “Pode me procurar no gabinete, pode discutir pelas redes sociais, mas no limite do respeito”, ponderou.

Fonte: Blog do Jamildo

A vereadora Marília Arraes é acusada de censura no Facebook

O projeto de lei que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas em vias públicas da cidade, todos os dias da semana, a partir das 18h, gera polêmica no Facebook. A vereadora Marília Arraes (PSB) foi acusada de ter censurado as manifestações contra a sua proposição, depois de ter deletado de sua página na rede social os comentários contrários à prospota. Ela negou as acusações e relatou que só excluiu aqueles que postaram palavras ofensivas e não se propuseram a debater o assunto.

“Usem a palavra que quiserem, eu só fiz uma moderação. Existiam várias ofensas pessoais e não se dispuseram a conversar sobre o projeto. Não se pode dizer que não houve discussão, porque desde o princípio me coloquei a disposição e chamei para conversar”, defendeu. Segundo Marília Arraes, as mesmas pessoas que se irritaram com a exclusão dos comentários, sequer conheciam a proposição. “Eles não estão se mobilizando para conversar, só querem protestar”, argumentou.

Para Marília Arraes, o espaço para o debate foi aberto desde que a proposta foi apresentada na Câmara e não houve nenhuma manifestação contra. A vereadora afirma que é preciso bom senso, o que na opinião dela não está acontecendo. “Desde o início que o debate tem sido desvirtualizado. Eu gostaria que as pessoas tivessem bom senso e usassem argumentos, não o que estão fazendo”, ponderou. Ela lembra que o espaço para o debate foi aberto: “Fizemos uma audiência pública sobre o tema, convocamos para um debate, a gente divulgou no Facebook, no Twitter”, concluiu,.

O grupo do Facebook intitulado “Lei Seca de Marília Arraes – Eu digo não!” tem, até o momento, 322 membros e foi criado hoje depois que as pessoas excluídas da página pessoal da vereadora. Contrapondo esse grupo, foi criado outro chamado “Lei Seca de Marília Arraes – Eu digo SIM, SIM, SIM!”. O projeto da socialista voltou para as comissões da Câmara para análise de duas novas emendas. Se receber pareceres favoráveis em tempo hábil, será votado ainda este ano. Caso não, a proposição só irá a plenário em 2012.

Veja aqui o projeto

Conheça a página a favor e a página contra

Fonte: Diário de Pernambuco

Marília, a culpa é nossa.

Quando a vereadora do PSB, Marília Arraes, lancara a PL a respeito a proibicão do consumo de bebidas alcoólicas em vias públicas entre as 22hrs e 6hrs da noite, eu tive um susto. Susto por que a PL fora aprovada em primeira instância na câmara e também pelo seu conteúdo. Creio ter sido na tarde desta quarta feira passada, estava na biblioteca estudando para a monografia. Naquele momento, por ironia do destino lia justamente sobre a lei seca estadunidense e os seus diversos efeitos colaterais, que culminaram na revogacão da lei. Lia com algum conforto, tendo o privilégio de assistir as cagadas de algumas políticas públicas do passado de camarote. Até que entre uma bisbilhotada e outra em meu facebook me deparo com o PL da digníssima vereadora. Parecia uma brincadeira de mal gosto. Todos os argumentos obsoletos, vazios e autoritários usados para legitimar a proibição do uso de álcool na lei seca estadunidense ressuscitaram, saiam necrosados e empoeirados para ganhar vida na boca da vereadora. Uma espécie de assombração eletrônica que nunca vi acontecer, dos meus pdfs para a nossa querida Marília. Logo que a digníssima divulgava a sua conquista parlamentar, seu facebook recebera uma enxurrada de reclamações, muita gente conhecida, inclusive, atacava a PL da vereadora. Eu, obviamente, também argumentei e critiquei seu projeto. Algumas pessoas mais emocionadas com o absurdo da PL partiam para uma agressão menos fundamentada, outros colegas construíam argumentos fortes, embasados e tentavam com eloqüência e uma evidente irritação mostrar para a vereadora o absurdo que vazia. Absurdo político? Claro que não, Marília não é burra. Absurdo democrático? Certamente sim, tirar a liberdade dos cidadãos tendo o medo como a principal motivação é o argumento mais usado por todo o regime totalitário, tanto de direita como de esquerda. Enfim, todos nós criticamos o projeto, mostramos nosso descontentamento e alguns de nós, inclusive eu, fomos meio incisivos e ‘ocupamos’ a página da vereadora. No entanto, na minha reflexão (ó! profunda reflexão, rs…) de domingo me perguntei, quem é o verdadeiro culpado dessa PL? Cheguei a triste e, relativamente óbvia conclusão de que nós somos os culpados, todos ali que criticaram e grande parte dos que estão contra a vereadora são responsáveis e muito, pelo fato do PL estar aonde estar. Somos, em nossa maioria, estudantes universitários ou jovens profissionais. Nos comentários da PL da vereadora havia sociólogos, antropólogos, historiadores, filósofos, professores, jornalistas, profissionais da área cultural, musical etc. Todos nós ou a grande maioria não dispensamos um bom boteco com mesas e cadeiras nas calcadas, um arzinho fresco para refrescar e uma boa gelada. Tradicionalmente saímos de nossas universidades ou do trabalho numa sexta ou, as vezes, em dia de semana e as cadeiras de fora são as mais disputadas. Criticamos o PL por que ele nos atingiu diretamente, atingiu no que mais prezamos como prática hedonista de nossa vida profissional, a bohemia (pseudo?) intelectual. Muitos do que ali comentaram, acompanham pouco da atividade medíocre da câmara dos vereadores, grande parte dos estudantes de humanas de Pernambuco parece ter se isolado da vida política de sua cidade, universidade e seus arredores. Somos os indivíduos formados e instruídos para ter a maior capacidade argumentadora e conhecimento para acompanharmos e pressionarmos, quando necessário, a câmara dos vereadores, câmara dos deputados, e outras instâncias do governo. Temos conhecimentos importantes sobre estruturação política, movimentos sociais, políticas públicas, lei, etc… e, no entanto, o que fazemos? É interessante perceber que o edifício da universidade federal que mais forma indivíduos incabidos de pensar a sociedade e influenciar na sua melhor estruturação, é também o edifício que mais definha e literalmente cai aos pedaços. Estudamos sobre ditaduras, governos totalitários, revoluções, sociedade de controle, abusos de poder e, ainda assim, fomos todos nós, alunos e professores, incapazes de nos mobilizarmos e fazermos com que os elevadores do edifício mais alto da UFPE, o CFCH e seus 15 andares, voltasse a funcionar tempranamente. Os elevadores ficaram mais de três meses ora funcionando ora não. Muitos de nós temos boa consciência política, boa consciência ecológica e fazemos pouco, muito pouco. A grande maioria, talvez pelas próprias dificuldades de por parte de nossas crenças em prática, fica satisfeita com o hedonismo. Somos incapazes de nos organizarmos politicamente, mas veja só ‘inventamos’ as festas open bar, elaboramos os lugares transados da cidade, os festivais, as amostras, os espaços artísticos. Volta e meia abrimos um bar ali e outro aqui, fazemos excelentes vídeos de divulgações de festa, lugares legais e de grande movimentação de pessoas e dinheiro onde podemos ser intelectuais, nos embriagar e esquecer um pouco que o resto da cidade não entende nada sobre sociedade de classes e indústria cultural. Muitos de nós achamos a política daqui algo muito ‘mundano’ talvez até ‘imundo’ e nos ‘aquartelamos’ em nossas monografias, reportagens, eventos, teses, intervencões e dissertações. Reinventamos a roda em nossos argumentos lindos e de boa nota nas bancadas acadêmicas, sabemos muito de sociedade e fazemos a acadêmicofagia, a academia para a academia, temos o nosso clubinho e publicamos artigos para nós mesmos, matérias e documentários criticando o resto do mundo também para nós mesmos, e achamos isso cool, legal e estamos satisfeitos e felizes. É bonito escrever sobre as lutas do MST, fazermos vídeos criticando as grandes construtoras da cidade, ou fazermos passeatas para a legalização da maconha, afirmação gay, emancipação feminina etc. Fazemos argumentos lindos para pessoas que já nos entendem, recebemos os elogios que esperamos e nos damos por satisfeitos, quando fazemos as marchas falamos de nós para nós mesmos, criticamos todos que estão nos criticando, estamos juntos, temos uma forte idéia de unidade e de voz uníssona para depois voltarmos a nossa corriqueira acadêmico fagia. Até que… uma das herdeiras da dinastia Arraes tenta usurpar o nosso direito de nos anestesiarmos um pouco desse mundo que tentamos fazer de conta que não existe. Ai perdemos o eixo, bombardeamos sua página da internet usando nossas respectivas capacidades argumentativas tão respeitadas na academia, sugerimos passeatas e mobilizações, falamos mal da câmara dos vereadores, pedimos para eles não nos meterem em nossas vidas, invocados o direito de liberdade (liberdade?), chamamos a deusa democracia, acusamos de totalitarismo autoritarismo etc etc, berramos berramos e berramos, quase que esperando que a providência da razão caia sobre sua cabeça e que nossos argumentos funcionem, afinal de contas, não são tão bons em artigos publicados? Muitas pessoas aqui podem estar um pouco irritadas, sentindo-se diretamente atacada ou, com alguma razão, pensando: “porra esse cara ta falando mal de todo mundo, mas que porra ele faz”? Eu decidi estudar sociologia para colaborar, de alguma forma, para a construção de um mundo melhor e, com alguma ‘preguica’ vou notando que não adianta ficar somente nos espaços das faculdades, rodas intelectuais ou afins. Critiquei vocês da mesma forma que me critiquei, não sou melhor do que ninguém aqui, por isso mesmo fiz essa postagem. Somados nós somos fácil 8 mil pessoas, número mais do que suficiente para fazer rebuliço político, eleger deputado estadual, eleger vereador etc etc… Juntos temos uma estrutura impressionante de mobilização política, espaços culturais, espaços artísticos, casas de festa, bares, e festas open bar. Unidos temos um alcance considerável. Não vou falar aqui em nomes de pessoas, muito menos de organizações, não quero apontar o dedo pra ninguém, mas muitos de nós temos importantes interesses em comum, somos todos a favor de ciclovias, legalização do aborto, criminalização da homofobia, legalização da maconha, permissão para beber em vias públicas, festivais culturais, políticas publicas de valorização dos espaços artísticos, uma urbanização mais responsável etc etc. Além disso, já temos toda uma estrutura que se funciona muito bem para festa, não podia ser diferente em termos políticos. Já temos todo o know-how político sem nem sabermos. Imaginem se nós, jovens universitários e/ou profissionais conseguíssemos nos organizar de maneira sistemática para termos essas causas como nosso denominador comum? Imaginem se esses festivais e espaços artísticos tivessem o mínimo de participação política? Imagine se todo antropólogo, sociólogo, jornalista etc… pudesse formular um blog crítico e incisivo a respeito de nossa realidade local? Creio que podemos fazer isso e que devemos abrir nossos olhos para tal, assim sendo, será mais fácil resistir a medidas públicas absurdas e reclamarmos com forca e consistência a respeito de nossos direitos, afinal de contas só tem direito de reclamar quem participa. Aceitar que a democracia não é um direito, mas uma condição constantemente sob disputa é uma algo fundamental para podermos garanti-la. Espero ter cooperado na troca de idéias e quem sabe, que possamos partir para ações mais fortes. Um forte abraço a todos.

Fonte: Desdaprismo

A desastrosa gestão de mídias sociais de Marília Arraes

Desde a última quarta-feira (07), a vereadora do Recife Marília Arraes (PSB) viu sua página do Facebook se transformar na plataforma de debates mais intensa que um parlamentar municipal da cidade jamais viu. A polêmica em torno de seu projeto de lei que pretende proibir o consumo de bebidas alcoólicas nas vias públicas do Recife fez com que uma avalanche de comentários contrários à sua proposta tomasse conta de sua página.

Sobre o projeto em si, recomendo a leitura do artigo “Os erros do projeto de Lei contra o consumo de bebidas“, que analisa como a vereadora se utilizou de uma pesquisa estatística de forma equivocada para justificar seu projeto de lei.

Estou acompanhando a polêmica desde o início, e para facilitar o entendimento de tod@s, divido a narrativa dos acontecimentos em três partes: 1 – broadcast: falando de cima pra baixo; 2 – a interlocução bem-vinda; 3 – recifenses sem voz: a censura em tempos democráticos.

Desde a noite de ontem dezenas de pessoas estão sendo sumariamente excluídas da página da vereadora (inclusive este blogueiro que vos escreve), e centenas de comentários estão sendo deletados, numa postura extremamente antidemocrática e autoritária da vereadora, que simplesmente, depois de “abrir” o debate, optou por calar a boca da opinião pública recifense.

Infelizmente a vereadora e sua assessoria não calcularam os efeitos desse gesto extremamente reprovável, e a repercussão ao seu projeto (que já era negativa), agora se tornou uma repercussão duplamente negativa: ao projeto e ao próprio comportamento de Marília Arraes e seu gabinete.

Mas vamos por partes. Ao final do post, falo sobre nossa ida à Câmara, ontem, e sobre as articulações que estamos movendo para barrar este projeto. Com isto já fica dito que sou contrário à proibição do consumo de bebidas alcoólicas em vias públicas, mas não pretendo me alongar nisto, senão fazer uma análise sobre a gestão desastrosa das mídias sociais da vereadora.

Broadcast: falando de cima pra baixo

As primeiras movimentações polêmicas na página da vereadora aconteceram na terça-feira, dia 6 de dezembro, por volta das 18h. Nesta postagem, sua assessoria informa que os projetos de leis nº 128 e 130 foram aprovados na Câmara.

Sem imaginar a repercussão extremamente negativa ao projeto nº 130 (o que proíbe o consumo de álcool em vias públicas), a vereadora chegou a postar um comentário dizendo o seguinte: “Agradeço o apoio de tod@s!” Mas esse “apoio de tod@s” não existia, e continuou sem vir. Ao contrário, a partir desse momento começaram muitos questionamentos sobre o projeto de lei.

Além desses questionamentos sobre o projeto, começou-se a se questionar o por quê de a vereadora não responder às críticas e perguntas que iam surgindo. “Dá pra senhora responder as perguntas feitas, por favor?”, escreveu uma garota.

Mas as perguntas feitas não foram respondidas. Em vez disso, a vereadora fez outra postagem, na qual dizia estar “muito feliz com a repercussão”.

Abaixo dessa declaração, uma enxurrada de quase 200 comentários (embora, como se pode ver, esses quase 200 foram reduzidos a 65…). Dezenas de pessoas questionavam a vereadora, sem que ela se manifestasse sobre nenhuma das críticas. Muitos desses comentários, inclusive, eram de extrema pertinência, com observações bastante inteligentes e embasadas sobre os problemas notórios do projeto.

No dia seguinte, 7 de dezembro, com um turbilhão de pessoas criticando o projeto em suas postagens, a vereadora (ou sua assessoria) postou um álbum de fotografias mostrando alguns bares nas ruas do centro da cidade.

As fotos, escuras e sempre buscando um olhar sobre a sujeira, foi motivo de muita chacota entre os comentários, como “Vereadora, são pessoas felizes nas fotos, tomando uma cervejinha depois do trabalho. É isso que a senhora quer proibir?” Ou ainda: “Se essas ruas são escuras é culpa do abandono da prefeitura e dos vereadores! Não puna as pessoas pela falta do trabalho de vcs”.

Mais e mais comentários chegavam em tom crítico à postagem das fotos, e tantos outros criticando o projeto de lei da vereadora, e ainda muitos questionando-a se ela não iria responder às perguntas de nenhum cidadão.

Porém, não veio resposta alguma de Marília Arraes. O que vieram foram mais e mais postagens dela, uma por sobre a outra, ignorando completamente as centenas de comentários que surgiam em sua página. Um verdedeiro picadeiro de crise de gestão de mídias sociais estava armado.

Depois do álbum, surgiu uma postagem com uma “nota técnica da secretária de saúde do Estado”, depois outra com a íntegra dos projetos de lei. Em seguida, na sexta-feira, outra postagem com um depoimento do secretário de defesa Wilson Damázio (defendendo a proibição, claro).

Pra fechar a sexta-feira com chave de ouro surge uma postagem dizendo que a Câmara havia aprovado os projetos por unanimidade – como se isso fosse algum atestado de que as pessoas deveriam achar que o projeto era bom.

Esse comportamento da assessoria de imprensa da vereadora, que observei muito atentamente durante todos esses dias, caracteriza uma postura típica de quem desconhece completamente o funcionamento dinâmico das redes sociais.

A intenção desse “post sobre post”, ao que me pareceu, teve como objetivo sufocar o dissenso, passando por cima das opiniões contrárias, e representa uma forma de comunicação totalmente ultrapassada, própria dos veículos tradicionais de mídia que funcionam a partir do broadcast (que significa “difusão”, “transmissão”), empurrando goela abaixo pílulas e mais pílulas de informação na tentativa vã de “morgar o papo a partir do argumento da autoridade”.

Mas em tempos de socialcast, onde cada pessoa é sua própria mídia, cada pessoa é produtora de conteúdo (e, mais do que isso, cada indivíduo é um transmissor, um broadcast), as informações não dependem de um único hub (concentrador), e a consequência é que as críticas e opiniões contrárias se espalham como uma avalanche por diversas outras mídias sociais, em cada perfil de Twitter, de Facebook, de Orkut, etc.

É precisamente esse o poder de difusão incontrolável das mídias sociais. É neste ponto que a internet virou definitivamente a mesa da comunicação social tradicional.

A interlocução bem-vinda

Ainda na sexta-feira, a própria vereadora veio ao seu Facebook para responder algumas pessoas nas seções de comentários. A atitude foi elogiada por várias pessoas, e dava a entender que as coisas estariam, agora, caminhando no rumo certo.

No sábado de manhã, Marília Arraes postou uma mensagem pedindo desculpas pela demora em responder, o que denotou uma virada muito positiva para a parlamentar municipal.

Adotando um tom mais sociável, a vereadora respondia alguns questionamentos e ignorava outros. Logo em seguida, às 9h da manhã deste mesmo sábado, Marília mostrou que apesar de aparentar-se afeita ao diálogo, não estava disposta a voltar atrás de seu projeto, extremamente criticado de forma bastante fundamentada, por dezenas e dezenas de pessoas.

A vereadora se mostrou irredutível, fazendo outra postagem com sua opinião em defesa do seu projeto de lei. A repercussão continuou muito grande, tanto dentro de sua página como em dezenas de perfis tanto do Facebook, quanto do Twitter. Socialcast… lembram?

Em seguida, a vereadora parece ter retomado sua postura inicial, verticalizada, fazendo mais e mais postagens de notícias extraídas de jornais e blogs sobre o projeto, atropelando todas as opiniões contrárias à sua.

Enquanto isso, suas seções de comentários fervilhavam mais e mais…

O fim de semana, então, foi concluído com a postagem de uma matéria da Folha Online sobre o projeto. Essa atitude deixou ainda mais contrariada a opinião pública.

A vereadora acabava de perder uma grande chance de virar toda a a polêmica em seu favor.

Recifenses sem voz: a censura em tempos democráticos

Como os projetos de Marília Arraes foram aprovados com emendas, eles voltaram às comissões e nesta segunda-feira seguiriam novamente para votação no plenário. Um grupo de pessoas esteve na Câmara de Vereadores (inclusive eu) para tentar dialogar com Marília Arraes, que numa postura louvável havia convidado para irem até o seu gabinete apresentar suas opiniões.

Ainda de manhã, a vereadora se comprometeu a retirar seu projeto de votação, para que os debates se aprofundassem. Para surpresa de quem conversou pessoalmente com a vereadora, não só o projeto não foi retirado da Ordem do Dia, como seria votado mesmo depois de a vereadora dar sua palavra em contrário.

Sobre o dia de ontem na Câmara, escrevi um post no meu blog (leia aqui), e nele reproduzi a moção de repúdio ao projeto, que escrevemos.

Quando cheguei da Câmara, à noite, fui surpreendido. Eu e várias pessoas havíamos sido excluídos da página de Marília Arraes!, e nossos comentários foram sumariamente deletados.

Porém, o mais curioso foi acompanhar o Twitter da assessora de imprensa da vereadora, que comentava sobre o assunto na mesma hora em que censurava centenas de comentários. Confiram algumas de suas mensagens:

De forma alguma eu condeno a postura pessoal da assessora de Marília Arraes. Ela tem o seu direito de falar o que pensa. Mas sobre seu comportamento profissional, tenho inúmeras críticas.

A começar pelo fato de que ela tem um cargo público comissionado e seu salário é pago com o nosso dinheiro, o dinheiro dos contribuintes, entre eles, os próprioscidadãos debatedores que ele classifica como “pseudo-intelectuais” – como se todos os cidadãos recifenses fossem obrigados a compartilhar de suas mesmíssimas vulgaridades de pensamento!

A assessoria da vereadora Marília Arraes fez uma verdadeira “limpeza” nas seções de comentários, e praticamente todo o contraditório desapareceu – e, agora, as seções de comentários do Facebook da vereadora mais se parecem às seções de blogs como o de Reinaldo Azevedo ou de Paulo Henrique Amorim, limpas e praticamente sem discordâncias, como se possível fosse uma democracia existir sem o dissenso.

A impressão que ficou é que a “limpeza” feita no Facebook reflete o próprio higienismo do projeto da vereadora: “vamos varrer a sujeira (o dissenso) pra debaixo do tapete e fingir que vivemos numa cidade limpinha (sem oposição).

Para infelicidade da vereadora e de sua assessoria, eu fiz uma cópia de praticamente todos os comentários antes deles serem deletados.

Imaginava que isso poderia acontecer a qualquer momento, e agora transformei toda essa repercussão em um arquivo pdf., pois a perda de toda essa memória seria inaceitável para um blogueiro historiador como eu…

Façam também o download da nota publicada hoje por internautas contra o PL clicando aqui.

Articulação para barrar o projeto

O projeto de lei da vereadora acabou sendo retirado de pauta na tarde desta segunda-feira, e sua votação foi adiada. Eu e mais um grupo de pessoas fizemos uma comissão para manter ativa a oposição ao projeto, uma vez que o PL havia sido aprovado por unanimidade pela Casa!

Ainda ontem conseguimos o apoio do vereador Osmar Ricardo (PT), e vamos continuar articulando o apoio de outros parlamentares para aumentarmos nossa representatividade no momento da votação – caso a vereadora não desista do projeto.

Por isso, fica aqui o chamado para tod@s que quiserem se juntar à discussão e ampliar uma oposição popular a este projeto de Marília Arraes. Por enquanto, vocês podem acompanhar através de um dos canais de comunicação que criamos, no Twitter: @contraleiseca. Depois ainda criaremos outros canais.

Este é um momento muito importante para nós cidadãos mostrarmos aos parlamentares desta cidade que eles não podem governar para si mesmos, mas para toda a coletividade – pois não apenas os elegemos, também somos nós quem pagamos seus funcionários comissionados, bem como os seus salários de mais de 9 mil Reais.

Fonte: André Raboni, do Acerto de contas