Polêmica com Marília Arraes nas redes sociais (13/12, Jornal do Commércio)

Polêmica com Marília Arraes nas redes sociais (13/12, Jornal do Commércio)

Socialista apaga do Facebook comentários críticos ao seu projeto sobre consumo de álcool e sofre duros ataques
Débora Duque – dduque@jc.com.br

Desde que foi aprovado, em primeira votação, o projeto de lei de autoria da vereadora Marília Arraes (PSB), que impõe restrições ao consumo de álcool nas vias públicas do Recife (entre às 18h e 6h), não parou de gerar polêmica, principalmente, nas redes sociais. A página da socialista no Facebook recebeu inúmeros protestos ao longo da última semana que culminaram, há dois dias, com a ida de um grupo de estudantes à sessão da Câmara Municipal para pressionar os vereadores a rejeitarem a matéria na segunda votação, que terminou sendo adiada. Ontem, o foco das discussões saiu, momentaneamente, do conteúdo do projeto e transferiu-se para a conduta da vereadora.

Depois de responder cada um dos questionamentos postadas no Facebook e, inclusive, receber algumas pessoas em seu gabinete para debater a matéria, a própria Marília resolveu apagar todos os comentários contrários a sua proposta colocados em sua página. Alguns dos usuários, autores das manifestações, foram, inclusive, bloqueados e impedidos de acessar o perfil da vereadora, o que serviu para aumentar ainda mais a revolta de quem já havia se posicionado contra o projeto. A socialista também passou a ser acusada de “manipular” a discussão ao liberar apenas as avaliações positivas acerca de suas propostas.

Doutoranda em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisadora da área de criminalidade, Ana Paula Portella, por exemplo, surpreendeu-se ao ver que não tinha mais permissão de entrar no perfil de Marília, um dia depois de ter conversado com a vereadora nas dependências da Câmara. Dizendo-se “escandalizada” com a atitude “autoritária” da socialista, ela divulgou uma nota compartilhada por vários usuários do Facebook. “A vereadora optou por não continuar a conversa e, pior, retirar do seu perfil poderosos ataques ao projeto (…) As pessoas envolvidas na discussão que foram sumariamente bloqueadas, em sua maioria, são profissionais da área das ciências humanas que estão preocupados, não em desmoralizar a vereadora ou algo do gênero, mas sim em praticar a democracia, apresentando os erros do PL e seu potencial de tornar-se uma lei pouco eficiente, nada democrática e muito prejudicial aos cidadãos do Recife”, diz o texto.

Marília, por sua vez, reconheceu ter deletado os comentários, alegando que a maioria tinha caráter “agressivo”, embora tal classificação não pudesse ser estendida a todos. “Ali era um espaço de defesa do mandato. O democrático realmente seria se eles tivessem criado um grupo ou comunidade específica para realizar aquele debate e não se utilizar de um espaço que a gente mobilizou, durante dois anos, quase cinco mil usuários”, argumentou, garantindo que não desistirá do projeto.

Aumenta mobilização na web contra projeto

Para fortalecer a mobilização contra o projeto que regulamenta o consumo de bebidas alcoólica em vias públicas também foi divulgada, ontem, uma moção de repúdio. No texto, assinado por alguns dos estudantes que compareceram à Câmara, na segunda-feira (12), são sublinhados o caráter “elitista” e “antipopular” da iniciativa.
Na visão do grupo, a lei beneficiará as “classes sociais com poder aquisitivo para frequentar ambientes fechados em detrimento de espaços abertos, característicos da cidade”. A nota ainda contesta a relevância das estatísticas de homicídios apresentadas pela vereadora para embasar sua proposta. O argumento dos estudantes é de que apenas 7,65% dos assassinatos do Recife acontecem, simultaneamente, em contexto de uso do álcool em vias públicas.

Em contrapartida, Marília considera que os dados da Secretaria de Defesa Social são “representativos”, mas se constituem em apenas um dos pilares de seu projeto. Além deste, também tramita outro ainda a ser votado que determina o fechamento dos bares e restaurantes às 22h dos domingos. No Facebook, já foi criado um grupo, chamado “Lei Seca de Marília Arraes – Eu digo não!” – que, até ontem, contava com 440 membros.

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